É hora do almoço.
Todos sentados à mesa como de costume.
Minha mãe sentada à minha frente e o meu marido sentado à minha direita.
O clima, como de costume, é tenso.
Neste dia, especialmente, todos custam a se acomodar para dar inicio ao almoço. Parece que sempre está faltando um remédio, o sal, o óculos, a água, o guardanapo....
Enfim, todos se aquietam, sentam e começam a se servir.
A conversa segue um rumo despretencioso.
Comenta-se sobre as últimas noticias do jornal e o comentário gira sobre o estranhamento dos crimes cometidos dentro da família, de pais que matam os filhos, de filhos que matam os pais. Neste momento são muitas as referências que vêm à mente de todos e muitos casos passam a ser comentados.
De repente, surge a referência de que se não há corpo, não há crime. Fato esse que pode ter acontecido com muitas das crianças desaparecidas.
Assim do nada, meu marido diz que é simples sumir com o corpo.
É só queimar o corpo em uma pilha de pneus que todos os vestígios são eliminados.
Fico chocada! Como sempre me sinto muito mal frente a essas referências...
Logo me vem a mente a cena do filme "Tropa de elite"...
Sinto-me ameaçada... acuada.
Não consigo controlar meus pensamentos ...
penso que assim também se pode eliminar quem não se deseja mais.
Como se tivesse lido meus pensamentos, meu marido fala do caso de Dana de Teffé, cujo corpo nunca foi encontrado.
Em minha mente outros crimes semelhantes começam a surgir... o caso do ex-promotor que matou a mulher grávida (2009), o caso Bruno (2010), o caso Mércia Nakashima (2010) e tantos outros.
Percebo que estes assuntos sempre me soam como ameaça...
e com surpresa constato que nos primeiros anos de casada um outro caso rumoroso ganhou as manchetes... o caso Doca Strite-Angela Denis (1976).
Quem sabe? Pode ser por isso...
Sei que sempre que ouço esses assuntos me sinto pessoalmente ameaçada!
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