segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dana de Teffé, sempre uma ameaça no ar...


É hora do almoço.
Todos sentados à mesa como de costume.
Minha mãe sentada à minha frente e o meu marido sentado à minha direita.
O clima, como de costume, é tenso.

Neste dia, especialmente, todos custam a se acomodar para dar inicio ao almoço. Parece que sempre está faltando um remédio, o sal, o óculos, a água, o guardanapo....
Enfim, todos se aquietam, sentam e começam a se servir.

A conversa segue um rumo despretencioso.
Comenta-se sobre as últimas noticias do jornal e o comentário gira sobre o estranhamento dos crimes cometidos dentro da família, de pais que matam os filhos, de filhos que matam os pais. Neste momento são muitas as referências que vêm à mente de todos e muitos casos passam a ser comentados.

De repente, surge a referência de que se não há corpo, não há crime. Fato esse que pode ter acontecido com muitas das crianças desaparecidas.

Assim do nada, meu marido diz que é simples sumir com o corpo.
É só queimar o corpo em uma pilha de pneus que todos os vestígios são eliminados.

Fico chocada! Como sempre me sinto muito mal frente a essas referências...
Logo me vem a mente a cena do filme "Tropa de elite"...
Sinto-me ameaçada...  acuada.

Não consigo controlar meus pensamentos ...
penso que assim também se pode eliminar quem não se deseja mais.
Como se tivesse lido meus pensamentos, meu marido fala do caso de Dana de Teffé, cujo corpo nunca foi encontrado.

Em minha mente outros crimes semelhantes começam a surgir... o caso do ex-promotor que matou a mulher grávida (2009), o caso Bruno (2010), o caso Mércia Nakashima (2010) e tantos outros.

Percebo que estes assuntos sempre me soam como ameaça...
e com surpresa constato que nos primeiros anos de casada um outro caso rumoroso ganhou as manchetes... o caso Doca Strite-Angela Denis (1976).

Quem sabe? Pode ser por isso...
Sei que sempre que ouço esses assuntos me sinto pessoalmente ameaçada!

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

O fio da antena

Era um tarde como outra qualquer.
Estava na lida da casa, ocupada possivelmente com a louça do almoço.
Quando minha filha entra, dizendo ter comprado um vídeo-K7  para colocar na TV do seu quarto. Segundos mais tarde, sai ela outra vez... dizendo que precisa de um outro fio de antena...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A tesoura de cortar grama...



Nos tinhamos mudado para o Jardim...
Minha avó havia mudado para perto de nós, pouco tempo depois. Foi uma festa!
Eu deveria ter uns 7 a 8 anos.

A casa da minha avó...
ficava quase em frente da nossa.
Ficar por lá era muito mágico!!!

Até hoje é um lugar de muitas lembranças significativas.

Minha avó era uma mulher que cuidava de muitas coisas.
Naquele tempo, cuidava do marido e do filho que ainda não era casado.
Ajudava minha mãe na casa, me levava para a escola e participava ativamente da nossa vida.
Todas as noites contava historias para embalar nossos sonhos.

Nessa sua casa nova havia um jardim que se continuava pelo corredor direito da casa.
Este era o lugar que ela plantava rosas. E no quintal ela plantava milho e mandioca. Sempre foi incrível colher de tudo que era plantado, tomate, xuxu, salsinha, couve, limão, maracujá...

O jardim da frente era cercado com aquele arbusto de folhas redondinhas... que usavamos para enfeitar os docinhos de coco. Este arbusto cercava todo o jardim e no centro demarcava o canteiro central com flores... eram dálias, cravinias, margaridas.

....

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pizza para comemorar...

Naquela manhã tinha levantado cedo como sempre costumava fazer.
Tinha muito o que fazer para concluir meu  trabalho ...
Assim segui por  todo o dia, completamente focada no que tinha para ser feito.

No final da tarde,
havia um compromisso marcado: a missa de aniversário de morte da minha  sogra.
Tinha me esforçado para conseguir ir...
mas por mais que tivesse tentado me superar, não consegui estar disponível.

Naqueles dias estava trabalhando  em casa ...
para poder atender às solicitações de todos no que precisasse,,,
Embora eles não interpretem assim a minha presença.

Trabalhar em casa... não rendendo.
São muitas as interferências.
Há  sempre uma solicitação a ser atendida: a filha que chega...
o telefone que toca, a empregada que pergunta, o almoço a ser feito...
Mesmo em meio a tudo isso,
sempre procuro manter meu foco concentrado... no trabalho.

Apesar de ser um esforço considerável manter-se no trabalho
Esta não é a mesma interpretação que eles fazem sobre esse meu comportamento.

É chegada a hora da missa... todos se preparam para sair...
Minha filha vem se despedir para sair... aproveita para me perguntar porque o pai estava tão bravo.

Admirada, 
Fico sem saber o que responder...  não sabia do que se tratava.

Perplexa...
espero minha filha completar sua pergunta.

Com espanto
ouço ela dizer que o pai tinha ficado indignado comigo porque eu teria proposto comer pizza depois da missa para comemorar...

Quem tinha dito aquilo?
Não tinha nenhuma intenção de sair de casa...
tinha que completar o trabalho, por esse motivo não ia a missa...
Como poderia ter falado aquilo???

Não tinha falado aquilo...
mas meu marido já estava enfurecido com essa proposta que eu jamais fiz.
Minha filha de uma certa forma estava me recriminado por ter feito essa proposta.
Comemorar???

Eles saíram
Tudo ficou parado no ar.

Sabia que não tinha falado...
Tinha certeza.

Um minutos depois comecei a duvidar do que havia feito.
Será que tinha falado em comer pizza???
Quem sabe???
Bem que poderia ser.

Frente a essa duvida...  resolvi parar o trabalho...
fui para a cozinha preparar uma sopa para todos...

Mais uma vez deixei de lado meu trabalho, para atender a solicitação...
O que vamos comer na volta da missa?

Penso que não falei sobre ir comer pizza,
Penso que foi a pressão de todos  que me levou a duvidar.

Penso que acabo preferindo
duvidar de mim mesma ...  pagar por algo que não fiz...
do que ter que ver o que de fato tudo isso significa.
do que ter que suportar a sensação de injustiça.

TOMO CONSCIÊNCIA DE MAIS UMA INCONSCIÊNCIA MINHA...

Gio © Copyright