Tinha sido mais um daqueles dias azuis...em que o sol alonga o dia e segue junto com a noite de mãos dadas.
Nesses dias de sol que é impossível ficar triste.
Ainda estava trabalhando...
Então minha filha ficou encarregada de fazer o lanche.
Veio até a biblioteca me perguntar que patê deveria fazer, trazendo as duas latinhas na mão, uma de sardinha e a outra de atum.
Respondi que prefiro sempre de sardinha...
Sentamos todos a mesa pra esse jantarzinho rápido.
Que bons tempos estamos vivendo!!!!
A mesa agora tem mais gente...
Minha filha esta de volta, depois de um ano morando fora.
Minha mãe está conosco agora, todos os dias.
A mesa cheia sempre me agradou!!!!
Para não quebrar o encantamento do momento
e também como é de costume fiquei ali quieta... quase imóvel...
usufruindo aquele momento tão perfeito.
Meu marido, sentado ao meu lado, quebrou o silêncio e perguntou pra minha filha, sentada a sua frente
- Foi você que fez tudo isso, assim tão rápido?
Ela respondeu que sim, que com ela era assim, tudo rápido e eficiente.
Foi impossível não ser tomada por uma avalanche de lembranças entrecortadas
que me tomaram por inteiro.
Se fez noite densa e escura dentro de mim.
A tristeza me invadiu.
Naquela fração de segundo passou uma vida pela minha mente.
Passou todo o esforço e dedicação com que havia construído cada pequeno detalhe da minha vida...
todo o cuidado que tivera para com todos, em todas as coisas...
que hoje estão totalmente esquecidas,
como se nunca tivessem existido...
como se eu já estivesse morta há muito tempo.
Fiz um grande esforço pra lembrar...
mas não consigo saber ao certo, quando foi que tudo começou.
Só sei que faz muito tempo...
que resolvi silenciar para que tudo pudesse continuar a existir.
Silenciei...
Permiti...
Meu silencio permitiu que eles pudessem viver do jeito deles
Meu jeito sempre tinha incomodado tanto!!!
Assim eu permiti ...
para não me sentir culpada de existir uma existência que não podia ser aceita.
Neste momento lembrei...
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